Médicos cubanos VS. Egoísmo brasileiro

Médicos brasileiros contra a entrada de médicos estrangeiros no Brasil.
O que eu acho mais engraçado é o medo que nossos médicos têm dos médicos cubanos, primeiro, não entendo o motivo da reclamação, nenhum profissional brasileiro vai perder seu emprego para dar lugar ao outro, os médicos de fora farão o contrário de ‘roubar’ o lugar dos brasileiros, vão fazer o que a classe média, essa pequena parte de médicos burgueses estão se recusando a fazer, trabalhar para o próximo, e não apenas para si.
Para mim ficou muito claro que a vinda dessas pessoas para o Brasil é de grande necessidade, pode ser de alta ajuda, ou melhor, vai salvar vidas!
Quando eu vejo alguém que tem condições de pagar um plano de saúde reclamar desse assunto é o que me enfurece, o ser humano é engraçado, pois quando está bem de vida, estável, quer mais esquecer do outro que está precisando muito de ajuda.
Eu conheço o sistema único de saúde (SUS), e sei como é a porcaria que é. Funcionários que atentem mal os pacientes, hospitais em péssimas condições para atender a classe mais humilde do país. Uma pessoa ter que esperar mais de 2 meses para conseguir fazer um exame é totalmente desumano, pessoas morrem de todos os tipos, acidentes, assassinato, assaltos, mas morrer dentro de um lugar onde devia conservar a vida é um absurdo.
Quando estava lendo sobre o assunto, vi esta declaração: 'Dados do Ministério da Saúde apontam que há no Brasil cerca dois médicos para cada 100 mil habitantes, o que atende ao índice estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para os países desenvolvidos. Então o que falta? Segundo o presidente do Conselho Regional de Medicina de Goiás, Salomão Rodrigues, é a correta distribuição desses profissionais.' Meu amigo, não sou médico nem especialista da OMS, mas façamos uma reflexão sobre esse número, 2 médicos para atender 100.000 pessoas é o suficiente? Me poupe.
Entendo que as condições de trabalho no interior são piores que nas capitais, e acho que em vez de desviar dinheiro, os prefeitos e companheiros deveriam investir em infraestrutura, mas porque os médicos brasileiros tem que chorar tanto pra trabalhar no interior e os mais de 2000 médicos cubanos não reagem da mesma forma?
Temos que largar mão de ser arrogantes e egoístas e deixar eles fazerem o trabalho que deveria ser feito por nossos trabalhadores, mas não é feito.
Esse assunto da saúde abrange outros problemas que somos campeões em praticar, precisamos entender que o real problema está nas qualidades humanas, não só temos que contratar profissionais estrangeiros, mas temos que recebê-los de braços abertos, um dia quem sabe não é você que necessite um hospital no interior ou mesmo um posto de saúde de uma capital, quando for VOCÊ que vai ter que esperar em uma fila de mais de 30, 40 pessoas para ser atendido talvez mude de opinião. Temos que sair da nossa bolha social e pensar no próximo, todos devemos ter o direito de possuir um bom atendimento rápido e com qualidade, de graça.

3 comentários:

Galvão disse...

Tive que quebrar em 3 comentários devido ao limite de caracteres. Dada a gravidade do tema, me atrevo a fazer algumas considerações:
Ao começar o texto referindo-se à classe médica como "burgueses", colocamos recém formados, gente que ralou muito para se formar, fazer uma residência médica, com os médicos do Sírio Libanês ou aqueles que "já tem a vida ganha". Cada profissional deveria ser melhor valorizado, não só pela sua formação, mas também por ela. O termo "burgueses" absolutamente não cabe para médicos que trabalham na rede pública de saúde.
O fato de ter ficado "claro" que os médicos "salvarão vidas" significa que você comprou como verdade a propaganda do governo. Se eles tem sólida formação, porque não se submetem ao mesmo rigor de avaliação (o Revalida) exigido de outros médicos? Há algum problema?
Não se pode ver essa vinda dos cubanos como um fato isolado. Vamos às fontes. Veja a Revista Sem Terra, do MST, órgão COMUNISTA (vi a necessidade deste grifo devido à charge do artigo) no seguinte link: http://www.mst.org.br/revista/32. Note que é uma publicação de 2005. Entre na matéria "MST aposta em educação". Não coloco este link para não parecer manipulação. Procure a palavra "medicina" no texto e você verá que, já naquela época, o MST comemorava que seus militantes estariam regressando ao Brasil formados em Cuba.
Aí surge uma pergunta natural: "Como brasileiros ingressaram na ELAM - Escuela Latiniamericana de Medicina", cujo lema é "Forjando un ejército de batas blancas"? Vamos à busca desta resposta. Em http://valquirioaraujo.blogspot.com.br/2009/03/na-elam-escola-latinoamericana-de.html que tomo como insuspeito por ostentar todo seu orgulho em ser aluno de medicina da Elam, vemos O principal programa de concessão de bolsas oferecido pelo governo de Cuba a brasileiros é destinado a estudos na ELAM (Escola Latino-americana de Medicina), em Havana, capital do país. A cada ano, até 100 brasileiros são selecionados para cursar medicina naquela instituição.
Todas as indicações de candidatos são feitas indiretamente por instituições oficiais do governo ou organizações políticas, sociais e religiosas brasileiras. Isto é, o interessado em estudar medicina em Cuba deve se informar junto a organismos governamentais, partidos políticos, ONGs (organizações não-governamentais), representações religiosas (como a Igreja católica) e outras instituições de ação social que são as responsáveis por indicar à representação diplomática de Cuba no Brasil os candidatos pré-selecionados às bolsas.
Após esta fase, autoridades representantes do governo cubano são incumbidas de analisar as candidaturas e selecionar aqueles que serão beneficiados pelo programa de bolsas.

Benefícios


A bolsa prevê a concessão de moradia em Cuba, alimentação e estudos de forma gratuita, em iguais condições às dos bolsistas cubanos. Os custos das passagens aéreas de ida e volta correm por conta do estudante. Em alguns casos excepcionais, o governo de Cuba concede também a cobertura dos custos com as passagens aéreas, segundo informa a Embaixada de Cuba em Brasília.

Os estudantes devem ter no máximo 25 anos; ter concluído o Ensino Médio, que é o nível equivalente à educação pré-universitária cubana; pertencer a uma família de baixo poder aquisitivo; e demonstrar aptidão física e mental para acompanhar o curso. Os candidatos terão também avaliados seus conhecimentos gerais, tendo em vista a perspectiva de poderem se adaptar e acompanhar os estudos em Cuba.

Note-se a data da publicação: 2009. Outro blog onde acorreram interessados há o seguinte comentário (http://viamed.wordpress.com/2011/01/29/elam-faculdade-de-medicina-cubana/#comment-142)
para estudar em cuba você deve se inscrever para ser selecionado e receber uma ajuda financeira do governo. Você deve procurar uma comissão do partido PT ou ir a um consulado de Cuba mais próximo, se informar de datas, processo seletivo, tudo isso…

Galvão disse...

Parte 2 de 3 (continuando)

Ou seja, um dos meios de ser brasileiro e estudar em Cuba é procurar o PT... Guarde esta informação.
Voltando um pouco mais na história. Em fevereiro de 2003, um mês após a posse do Sr. Luiz Inácio Lula da Silva como Presidente da República em seu 1º mandato e, 18 dias após o início da legistratura (todas as legistraturas começam em 01/02 - estude isso) o Sr. Arlindo Chinaglia, Deputado federal pelo PT-SP, apresenta o projeto de lei 65/2003 (link: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=104485) que "Proíbe a criação de novos cursos médicos e a ampliação de vagas nos cursos existentes, nos próximos dez anos e dá outras providências". Ao clicar no inteiro teor da proposta, (...) O segundo objetivo é o de proteger os médicos brasileiros formados em instituições de bom nível, ainda a grande maioria, do aviltamento das suas condições de trabalho – contra a invasão do mercado de trabalho por diplomados em Medicina, sem adequada condição de exercê-la.
O Brasil já tem uma relação de médicos por habitante acima do índice recomendado por instituições internacionais que é de 12 médicos para 10.000 habitantes. Essa proporção deverá continuar crescendo com rapidez, uma vez que o aumento da população de médicos – que tem se mantido constante – é maior do que a taxa de crescimento do total da população ( que tem decrescido )

Fazendo um resgate, então a taxa de médicos na época era de 12 para cada 10.000 habitantes no início de 2003 e hoje, segundo a postagem que comento, está em 2 para cada 10.000? Por acaso falta interesse em cursar medicina no Brasil?

Não perca a linha: Em 2003 é feito uma proposta para não se criar novas vagas de medicina. Em 2005 haviam militantes do MST voltando de Cuba. Em 2013 o governo contrata médicos vindos de Cuba por falta de médicos no interior? Isso é paranóia?

Sobre as condições de vida no interior, é importante que se frise uma situação. Veja http://dtr2004.saude.gov.br/susdeaz/legislacao/arquivo/21_Portaria_1886_de_18_12_1997.pdf Nas "Responsabilidades do Município", item 4.4 "Selecionar, contratar e remunerar os profissionais que integram as equipes de saúde da família". Pela Constituição Federal (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ConstituicaoCompilado.htm) Art. 37º, Inciso XI limita o salário dos servidores municipais ao salário do Prefeito. Ocorre que grande parte dos municípios brasileiros dependem do Fundo de Participação dos Municípios, ou seja, parte dos impostos arrecadados pelo Governo Federal. Segundo esta notícia de 2009, http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL1076692-5601,00-GOVERNO+ESTUDA+MANEIRA+DE+AJUDAR+MUNICIPIOS+QUE+DEPENDEM+DO+FPM.html principalmente os municípios menores das Regiões Norte e Nordeste do Brasil foram afetados pela queda da distribuição do FPM. É comum ver prefeituras reduzirem gastos para cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal que exige apenas que o município gaste só o que tem. Veja os resultados desta pesquisa (https://www.google.com.br/search?q=prefeitura+reduz+gastos+responsabilidade+fiscal) para notar que isto ocorre com mais frequência do que se imagina. Horários são reduzidos para que salários sejam diminuídos. Isto tudo para que se coloque a seguinte pergunta: "Você aceita, depois de cerca de 8 anos de estudo, trabalhar por R$ 10.000,00 mensais, sem garantia de salário no fim do mês?" Negar essa proposta é ser burguês?

Galvão disse...

E sobre os médicos que "ajudarão o interior, que ninguém quer ir" cito um exemplo, que não significa que todos façam isso, mas é bem ilustrativo. Veja a notícia http://diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/geral/pagina/mapa-mais-medicos-sc.html onde um jornal catarinense mostra os destinos dos médicos estrangeiros, através de mapas iterativos. Veja onde estão a maioria dos "médicos estrangeiros". No interior? É fácil notar que boa parte está no litoral, como cidades de Palhoça, Porto Belo, Navegantes, ou cidades próximas com grande arrecadação tributária pelo parque industrial têxtil como Brusque e Jaraguá do Sul. Por quê? Eles não iriam para o interior? Há poucos interessados em trabalhar no litoral catarinense?

Peço desculpas por ter me alongado, mas creio que com a doutrinação marxista a que a cultura brasileira está submetida há cerca de 50 anos, não adianta discutir isto com os mais velhos, que com certeza dirão que tudo o que está acima é "teoria da conspiração", mas é preciso alertar os mais novos que existe sim um projeto de perpetuação no poder de parte de pessoas totalitárias, nas quais não se pode confiar. Sugiro, para compreender melhor, estudo sobre Antônio Gramsci, Foro de São Paulo, União das Repúblicas Socialistas Latino Americanas (http://www.olavodecarvalho.org/semana/050801dc.htm). E, principalmente ESTUDEM. Busquem fontes primárias, corram atrás da informação e não acreditem somente naquilo que "alguém falou".